Comece já a pensar na sua aposentadoria

Com quantos anos você pretende pendurar as chuteiras? 55? 60? 65? E o que está fazendo para garantir que esse período chegue sem nenhum trauma? Se você ficou sem resposta para alguma dessas perguntas, é bom começar a se preocupar.

Especialistas alertam: quando o assunto é preparar o seu pé-de-meia, não há tempo a perder. “O maior erro é achar que dá para começar amanhã”, avisa Syllas Ramos, diretor do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). “No mínimo, devemos ter como meta não deixar dívida para os filhos e não precisar ser carregado financeiramente por eles. Devemos ter, pelo menos, um patrimônio para custear nossa própria vida, que será muito cara no final”.
Segundo ele, a maioria das pessoas não se dá conta de que, desde que nascemos, já temos uma série de compromissos assumidos e que nos acompanharão para sempre. “Temos diversas dívidas que serão eternas: alimentação, moradia, condomínio, gasolina, por exemplo. Quando pararmos de trabalhar, essas dívidas terão de continuar sendo pagas”, completa.
A seguir, veja algumas sugestões de como você pode, desde já, preparar uma aposentadoria de maneira segura e responsável.
Economize
“Quanto mais cedo você pensar nisso, melhor”, essa é a opinião do consultor financeiro, sócio da Moneyplan, Fernando Meibak, autor do livro O futuro irá chegar (Disal Editora). Para ele, o segredo para se ter equilíbrio financeiro a longo prazo é sempre gastar menos do que se ganha. “Só assim é possível juntar alguma coisa. E não importa o quanto você ganhe”.
Fernando sugere que se estabeleça um percentual mínimo para ser poupado todo mês. “Alguém que está na casa dos 30 anos, deve guardar, pelo menos, 15% dos seus rendimentos. Esse valor é suficiente para se ter, a partir dos 60, uma qualidade de vida bastante satisfatória até os 90. Não será o mesmo nível de salário, mas algo próximo”, destaca o especialista. “Mas, se já passou dos 40 e não guardou nada, é bom separar mais de 20%”, acrescenta.
Procure opções seguras
Segundo Fernando Meibak, as altas taxas de juros praticadas no Brasil favorecem os que conseguem acumular algum capital. “O tempo corre a favor dos poupadores. Mesmo os conservadores, que só aplicam na poupança, já têm um retorno básico. Por isso, não vale a pena se arriscar”.
Um investimento de baixo risco e retorno garantido, indicado pelo consultor, é a compra de Títulos do Tesouro Nacional. “Uma das principais vantagens é a facilidade. Para colocar dinheiro no Tesouro Direto, por exemplo, basta fazer um cadastro em um dos mais de 100 agentes financeiros disponíveis no site (tesouro.fazenda.gov.br), e investir qualquer valor sem sair de casa”.
Outras vantagens desse tipo de produto, de acordo com Meibak, são o baixíssimo custo e a ausência de taxas de administração. “De todos, recomendamos um título chamado Notas do Tesouro Nacional Série B, porque rendem a inflação e mais uma taxa de juros. Ou seja, o poupador vai ter um ganho real, acima da inflação”.
Fuja de produtos caros 
Tenha muito cuidado com algumas opções sedutoras oferecidas por bancos e seguradoras. Os planos de previdência privada são bons exemplos. “A dica é: não invista em produtos de previdência que tenham taxas de administração superiores a 1% ao ano. Não vale a pena. Eles vão pegar o seu dinheiro para comprar um Título do Tesouro Nacional. Faça você mesmo a sua previdência”, explica Meibak.
Tomando as devidas precauções para evitar o abuso na cobrança de taxas, Syllas Ramos acredita que os planos de previdência sejam uma boa opção para se preparar para a aposentadoria. “As grandes empresas têm planos que são ainda mais favoráveis e com condições mais interessantes do que se você procurar um banco e fazer um plano individual”, destaca o especialista, que chama atenção para outras boas possibilidades disponíveis ao jovem poupador. “Tem pouco dinheiro? Deposite na poupança, um produto fácil e popular. Com mais recursos, é possível optar por um bom fundo de investimentos ou ações, sempre com muito zelo e conhecimento”, acrescenta.
Conheça o mercado de ações 
Para Syllas Ramos, investir em ações pode ser um bom negócio, desde que se saiba bem o que está fazendo. “O maior problema é que a maioria das pessoas sabe o momento de comprar ações, porque foi orientado por alguém, mas não sabe a hora de vender. Com isso, ficam em carteiras de ações por muito tempo e acabam perdendo dinheiro”.
Se você é daqueles que não entendem nada do assunto, é bom ter bastante cautela. “Caso você tenha esse perfil, é provável que não aceite esse tipo de risco. Então, é melhor ficar nos fundos de renda fixa e, aos poucos, buscar conhecer mais o mercado”.
Evite aventuras
Pense duas vezes antes de investir os recursos que vem economizando na abertura de um negócio, na esperança de que ele te dê uma renda depois da aposentadoria. “Lembre-se: qualquer atividade tem risco e eles precisam ser muito bem avaliados e compreendidos para que se defina o quanto será empregado no empreendimento. Já vi gente perder muito dinheiro com isso”, alerta Meibak, que recomenda ainda que se tenha prudência, mesmo depois de uma análise detalhada. “Se quiser, pode até colocar uma parte do dinheiro. Mas, nunca todos os seus recursos”, finaliza.