Vale a pena ser menos conservador?

fernando-meibak-conservadorA indagação é provocativa neste começo de ano um tanto conturbado, após um segundo semestre de 2013 nada animador para a maioria dos ativos financeiros. O Banco Central continua elevando a taxa básica de juros e o pessimismo no mercado cresce, com pressões sobre o câmbio, alta das taxas de juros longas, a performance nada animadora da Bolsa de Valores, perdas provocadas pela queda de preço das Notas do Tesouro Nacional Série B, a rentabilidade ruim em muitos fundos de investimento e em muitos

fundos imobiliários, dentre outros impactos.

A verdade é que o brasileiro que tem reservas financeiras tem a sorte de estar
no Brasil, e não nos Estados Unidos, ou na Inglaterra, ou no Japão, etc. Aqui o
investidor não precisa se preocupar, pois pode permanecer conservador, se
quiser, concentrando seus recursos nos títulos de menor risco do mercado, os
títulos do Tesouro Nacional. Há um leque de produtos: títulos que remuneram
a taxa básica de juros, as Letras Financeiras do Tesouro – LFT; os títulos
prefixados, as Letras do Tesouro Nacional – LTN (que têm o risco de taxa); e os
papéis que rendem inflação (IPCA) mais juros, as NTNs B, atualmente com o elevadíssimo patamar de mais de 7% ao ano de rendimento. Vejam bem: juro real
de mais de 7% para investir num ativo livre de risco!
Certa vez um colega meu fez  um estudo sobre a variação do CDI, que é a taxa média do mercado interbancário de um dia e principal indexador dos ativos financeiros no Brasil, um período de 10 anos. Ele avaliou todos os casos de cinco anos dentro daquele intervalo de tempo e comparou o CDI com Bolsa, dólar e poupança, basicamente. A conclusão foi impressionante: ter investido em CDI teria sido a melhor alternativa em praticamente todos os períodos.

Creio que se alguém fizer esse estudo agora e incluir na comparação também os fundos imobiliários, fundos de previdência, fundos de renda fixa, DI, etc., acredito que os resultados não serão muito diferentes.

Assim, caso queira ser o mais conservador possível e não correr risco de taxa de juros, escolha investir em LFTs, em títulos de prazo mais longo, acima de dois anos (por causa do efeito do IR). 

Você estará aplicado num título de baixíssimo risco, com altíssima liquidez e com alta rentabilidade. É uma contradição às máximas do mundo teórico: você terá baixíssimo risco, elevadíssima liquidez e alto retorno! O mesmo raciocínio serve quando falamos de títulos atrelados à inflação, as NTNs B. Nesse caso, para evitar o risco de oscilação de preço, minha recomendação é para que invista em títulos que terá a capacidade de
manter em carteira até o vencimento. Vale a pena diversificar risco de sua
carteira investindo em ações, em fundos imobiliários, em fundos multimercados,
em produtos com risco de crédito ou outros ativos? Parece um grande
contrassenso à teoria, mas no Brasil a verdade é que não vale muito a pena ser
menos conservador…